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ESCLARECIMENTOS DE INFERTILIDADE CONJUGAL

A capacidade reprodutiva tem fundamental importância na estabilidade emocional do ser humano. A presença de infertilidade atinge fisicamente os individuo, agredindo o instinto de preservação da própria espécie e mais diretamente o instinto de maternidade e paternidade. A situação de infertilidade não é uma crise individual, mas de parceiros, fazendo com que eles possam avaliarem e questionarem o próprio sentido do futuro do seu relacionamento. Com isto, a experiência infértil pode se tornar uma ferramenta desestruturante e angustiante levando com frequência a desintegração e separação do casal após tentativas mal sucedidas de gravidez.

A infertilidade e uma enfermidade silenciosa e muitas vezes desprovida de maiores sinais ou sintomas que envolvem os casais no dia-a-dia. Cerca de 15-20% dos casais são inférteis e necessitam de alguma forma de tratamento, sendo que destes apenas 5% possivelmente não conseguirão realizarem o sonho de terem seus filhos. São considerados inférteis casais que após dois anos de vida sexual ativa sem uso de nenhum método de anticoncepção não conseguem uma gravidez. É denominada infertilidade primaria quando nunca houve gravidez e secundaria após uma gravidez previa. As causas de infertilidade dos casais são equitativas entre homens e mulheres. Assim, 30% são fatores masculinos, 30% são femininos, 30% são fatores masculino e feminino juntos e 10% são desconhecidos. Portanto, mesmo o homem e a mulher não apresentando nenhuma alteração clínica pode haver uma incompatibilidade entre seus organismos ou seus gametas. Os casais dividem uma grande angustia procurando inconscientemente responsabilizarem um ao outro pelo possível problema, mais como forma de conforto e de alivio que necessariamente de punição, portanto um breve esclarecimento pode colocar o casal em simetria para encarar de frente a situação.

Os fatores masculinos são causados pelas diversas doenças do sistema reprodutor, do sistema endócrino e algumas alterações congênitas que alteram a quantidade e a qualidade da produção dos espermatozoides. A probabilidade de infertilidade masculina é de 7-10%. Porem, 50% das causas de infertilidade masculina não tem uma causa aparente. Através de um simples exame de analise seminal completa (espermograma) praticamente faz-se o diagnóstico de infertilidade masculina, mas não define a causa. Assim, Após o espermograma alterado a investigação prossegue com exames de ultra-sonografia de bolsa escrotal, pesquisas hormonais e genéticas e com punções biopsias ou microcirurgias no epidídimo ou testículo que podem definir a causa infertilidade masculina. Dentre os fatores masculinos merecem destaque às varicoceles e as infecções que são responsáveis por aproximadamente 20% das causas de infertilidade masculina, alem do que são de fácil tratamento. Uma outra causa freqüente de infertilidade masculina são as vasectomias. Estas podem ser revertidas dependendo de vários fatores envolvidos, porem o principal esta relacionado com o tempo após a cirurgia. Caso não consiga uma reversão a gravidez é possível através da realização de reprodução assistida pela técnica de icsi (bebe de proveta).

Os fatores femininos são diversos e tem uma investigação mais complexa, dependendo da causa de infertilidade. Podemos distribuí-los em: 1) ovulatórios (35%) por diversas causas entre elas distúrbios hormonais como hipotiroidismo, hiperprolactinemia e outras causas hipotalâmicas e hipofisárias, síndrome de ovários policísticos que resultam em anovulação cronica, deficiência de fase lútea e as menopausas prematuras. 2) obstrução tubária (35%) principalmente devido à infecção, laqueadura e endometriose. 3) endometriose (20%) doença comum em idade reprodutiva feminina, estrógeno dependente, relacionada principalmente ao estilo de vida das mulheres atuais. Causam infertilidade por vários mecanismos: provocam alterações anatômicas dos órgão pélvicos, obstrução tubária, aderências, cistos ovarianos além da influencia imunológica que prejudica o desenvolvimento do embrião. 4) outras causas e as não detectadas (10%) entre elas malformações genéticas que comprometem o sistema reprodutor e endocrinológico da mulher. Alterações anatômicas do útero, endométrio e ovários provocados por miomas, pólipos, tumores ovarianos e aderências intra e extra uterinas. Alterações no sistema imunológico que dificulta a atuação do espermatozoide e a implantação do embrião.

A investigação feminina e mais trabalhosa e invasiva que a masculina. Dessa forma, alem do exame ginecológico completo e ultra-sonografia básica realiza-se níveis progressivos de exames dependendo de cada caso. Os exames básicos são dosagem de hormônios e uma ultrassonografia no terceiro dia do fluxo menstrual alem de r-x da cavidade do útero e trompas (histerossalpingografia). Após estes inicia-se outros mais complexos como vídeo histeroscopia, videolaparoscopia e investigação imunológica de acordo com sua indicação precisa.Cerca de 10% dos casais são inférteis sem causa aparente. Nestes toda a propedêutica mostra-se normal, tendo a necessidade de uso de técnicas de reprodução assistida.

Importante salientar que existem fatores que interferem nas taxas de fertilidade. A freqüência das relações sexuais: a probabilidade de gestação e de 17% para uma relação por semana e 83% para 4 ou mais vezes por semana sendo o dia ideal e o que precede a ovulação. A idade da mulher e o fator mais importante em jogo em todo processo reprodutivo humano. Ocorre um declínio após 35 anos de idade ficando bastante reduzida após 40 anos mesmo com níveis satisfatórios de nas dosagens hormonais. O tempo de infertilidade dentro do relacionamento, ou seja quanto mais o tempo passa e o casal não engravida, independente da causa e da idade da mulher se torna muito relevante com piora acentuada no prognóstico após três anos de tentativas sem sucesso. Gravidezes anteriores com problemas, principalmente relacionados ao primeiro trimestre de gestação como abortos de repetição, as malformações congênitas e os recém nascidos de baixo peso são fatores de prognostico importante na avaliação do casal. Histórico de cirurgias pélvica previa e de apendicite que poderiam resultar em aderências pélvicas e levarem a obstrução tubária ou afastarem os ovários das fimbrias das tubas uterinas. Uso de drogas ilícitas como maconha, cocaína, alcoolismo, anabolizantes, quimioterápicos, imunossupressores, tabagismo pode interferir na formação dos gametas tanto masculinos como femininos minimizando as chances de gravidez do casal. Fatores comportamentais como uso de duchas vaginais principalmente após o coito, uso excessivo de sauna diminuindo a produção de espermatozoides, esportes como equitação e ciclismo que provocam trauma testicular constantes, estado nutricional, dietas e stress.

Assim, voltamos o atendimento dos casais para o conhecimento real das suas necessidades e desejos. É extremamente importante para nos da clinica vita melhor abordar os aspectos e a magnitude da problemática que envolve a infertilidade, tornando prioritário conhecer as fantasias, mitos, tabus, preconceitos e a própria realidade que envolve a possível causa de infertilidade, tanto quanto o fator orgânico envolvido. Dessa forma podemos dar um e passo para uma investigação tranquila, menos angustiante e estressante, bem como podermos ter embasamento para indicarmos formas de tratamento individualizados e mais adequados para cada casal.Sou um parágrafo. Clique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

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